domingo, 21 de agosto de 2011

Cerra a serpente os ouvidos

Cerra a serpente os ouvidos
à voz do encantador;
eu não, e agora com dor
quero perder meus sentidos.
Os que mais sabem do mar
fogem d' ouvir as sereas;
eu não me soube guardar:
fui-vos ouvir nomear,
fiz minh' alma e vida alheas.

sábado, 13 de agosto de 2011

Sol, e Anarda

O Sol ostenta a graça luminosa,
Anarda por luzida se pondera;
O Sol é brilhador na quarta esfera,
Brilha Anarda na esfera de formosa.

Fomenta o sol a chama calorosa,
Anarda ao peito viva chama altera,
O jasmim, cravo, e rosa ao Sol se esmera,
Cria Anarda o jasmim, o cravo, e rosa.

O Sol à sombra dá belos desmaios,
Com os olhos de Anarda a sombra é clara,
Pinta Maios o Sol, Anarda Maios.

Mas (desiguais só nisto) se repara
O Sol liberal sempre de seus raios,
Anarda de seus raios sempre avara.

Manuel Botelho de Oliveira (1636 - 1711) 

sexta-feira, 5 de agosto de 2011

o templo Zifu, fundado pelo eremita Ren

Yu Xuanji

 [Yu Xuanji] 

China, 844-869 d.C





Ergueu o templo um homem solitário 
e hoje é descanso a viajantes – pouso – 
Deixam seus nomes vãos à porta, ao lótus
deitam-se escritos nas paredes brancas
As águas correm para o velho tanque 
A relva próxima ao caminho brota
Cem pés é alto o pavilhão de ouro
e em frente ao rio, todo brilho, claro


題任處士創資福寺


幽人創奇境。
遊客駐行程。
粉壁空留字。
蓮宮未有名。
鑿池泉自出。
開徑草重生。
百尺金輪閣。
當川豁眼明。



[in Poesia Completa de Yu Xuanji, tradução de Ricardo Primo Portugal e Tan Xiao, Editora Unesp, 2011]