sexta-feira, 13 de julho de 2012

As Pragas

[Nauro Machado]


Porque não estive às portas de Madri,
de onde escuto, ainda, o “no pasarán”.
Te abjuro, Senhor, enfim, e a Ti,
a quem, outrora, chamei de pai e bom.

Porque não estive às portas de Madri,
lutando, às claras, com porcos-burgueses,
luto e lutarei, em trevas, por aqui,
Te abjurando, Pai, por milhões de vezes.

Entanto, saibam-no todos, e ouvi
que aos homens-bestas, com meus punhos, sorvo-os
enquanto, ao longe, às portas de Madri,
se erguer, incólume, o sangue dos povos!
 

[Décimo Divisor Comum, 1972]

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