[Alfred Tennyson]
Devolveram-lhe seu guerreiro morto:
Ela, porém, não desmaia nem chora:
E todas as damas velam em coro,
“Precisa chorar ou estará morta.”
Depois teciam discreto elogio,
Dizendo-lhe digno de ser amado,
Amigo sincero, nobre inimigo;
Mas dela, gesto ausente, silente o lábio.
Deixa, então, uma donzela seu posto,
E do guerreiro inerte, levemente,
Retira o fúnebre véu de seu rosto;
Mas dela, silente o lábio, o pranto ausente.
Rose, uma criada de longeva idade,
Sobre os joelhos seu filho descansa –
Vêm lágrimas em árdua tempestade –
“Viverei para ti, minha doce criança.”
[traduzido por Adriano Lobão Aragão]
segunda-feira, 27 de fevereiro de 2012
Devolveram-lhe seu guerreiro morto:
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Alfred Tennyson
sábado, 18 de fevereiro de 2012
Fundo do mar
[Sophia de Mello Breyner Andresen]
No fundo do mar há brancos pavores,Onde as plantas são animais
E os animais são flores.
Mundo silencioso que não atinge
A agitação das ondas.
Abrem-se rindo conchas redondas,
Baloiça o cavalo-marinho.
Um polvo avança
No desalinho
Dos seus mil braços,
Uma flor dança,
Sem ruído vibram os espaços.
Sobre a areia o tempo poisa
Leve como um lenço.
Mas por mais bela que seja cada coisa
Tem um monstro em si suspenso.
[Obra Poética I, Caminho]
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domingo, 12 de fevereiro de 2012
um lobo
[Jorge Luis Borges]
Furtivo e cinza na penumbra última,
vai deixando seus rastros pela margem
daquele rio sem nome que saciou
a sede de sua goela e cujas águas
não repetem estrelas. Esta noite,
o lobo é uma sombra que está só
e que busca uma fêmea e sente frio.
É o último lobo da Inglaterra.
Sabem-no Odin e Thor. Em sua alta
casa de pedra um rei determinou
que acabassem com os lobos. Já forjado
está o forte ferro de tua morte.
Lobo saxônico, engendraste em vão.
Não basta ser cruel. Tu és o último.
A mil anos daqui um homem velho
te sonhará na América. De nada
há de servir-te esse futuro sonho.
Hoje te cercam os homens que seguiram
floresta afora os ratros que deixaste,
furtivo e cinza na penumbra última.
Tradução de Heloisa Jahn
[in Atlas, São Paulo: Companhia das Letras, 2010. p.21]
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