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terça-feira, 22 de novembro de 2011

Fazenda


[H. Dobal]

São trinta cabeças
de gado cabrum.
Criação miúda
sem qualquer ciência.
Somente um chiqueiro
defesa noturna
que bem cedo aberto
o dia lhes dá.

Rústicas a vida
de qualquer maneira
sabem extrair.
Mas vem da morte
sua serventia
o couro e a carne para o homem
mais pobre do que elas.


[in O Tempo Consequente, 1966]

quinta-feira, 27 de outubro de 2011

Homo

[H. Dobal]

Sua ração de vida o homem vê minguando
a cada dia. Mas duro recomeça
como se o tempo lhe sobrasse. E vagaroso
não conta as eras que se extinguem.
Nem conta a solidão dos dias claros
se desdobrando iguais como esquecidos
de mudar. Nem a distância
que o grito não transpõe, a passagem da vida
cumprida só em mínimos desejos.
Sua lástima na piar das nambus, sóbrio
se esquiva às armadilhas da tarde.
A incerteza nos paióis, o chão batido
em que levanta a casa, o amor
como a água das cabaças.
Lavrador do milho e do feijão, sua frugal colheita
em gleba alheia. Passa-lhe a vida,
e queima o céu com a cinza de suas roças.


[in O tempo consequente]