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quarta-feira, 30 de maio de 2012
LONGE E NÍTIDOS
[Sophia de Mello Breyner Andresen]
Longe e nítidos caminham os caminhos
Duma aventura perdida.
Próxima a brisa
Abre-se no ar.
É o azul e o verde e o fresco duma idade
Morta mas que regressa
Com os seus claros cavalos de cristal
Que se vão esbarrar no horizonte.
sábado, 18 de fevereiro de 2012
Fundo do mar
[Sophia de Mello Breyner Andresen]
No fundo do mar há brancos pavores,Onde as plantas são animais
E os animais são flores.
Mundo silencioso que não atinge
A agitação das ondas.
Abrem-se rindo conchas redondas,
Baloiça o cavalo-marinho.
Um polvo avança
No desalinho
Dos seus mil braços,
Uma flor dança,
Sem ruído vibram os espaços.
Sobre a areia o tempo poisa
Leve como um lenço.
Mas por mais bela que seja cada coisa
Tem um monstro em si suspenso.
[Obra Poética I, Caminho]
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Sophia de Mello Breyner Andresen
domingo, 17 de julho de 2011
Dionysos e outros poemas breves
[Sophia de Mello Breyner Andresen]
DIONYSOS
Entre as árvores escuras e caladas
O céu vermelho arde,
E nascido da secreta cor da tarde
Dionysos passa na poeira das estradas.
A abundância dos frutos de Setembro
Habita a sua face e cada membro
Tem essa perfeição vermelha e plena,
Essa glória ardente e serena
Que distinguia os deuses dos mortais.
NOITE
Noite de folha em folha murmurada,
Branca de mil silêncios, negra de astros,
Com desertos de sombra e luar, dança
Imperceptível em gestos quietos.
AS IMAGENS TRANSBORDAM
As imagens transbordam fugitivas
E estamos nus em frente às coisas vivas.
Que presença jamais pode cumprir
O impulso que há em nós, interminável,
De tudo ser e em cada flor florir?
GESTO
Eu em tudo Te vi amanhecer
Mas nenhuma presença Te cumpriu,
Só me ficou o gesto que subiu
Às mais longínquas fontes do meu ser.
EURYDICE
A noite é o seu manto que ela arrasta
Sobre a triste poeira do meu ser
Quando escuto cantar do seu morrer
Em que o meu coração todo se gasta.
Voam no firmamento os seus cabelos
Nas suas mãos a voz do mar ecoa
Usa as estrelas como uma coroa
E atravessa sorrindo os pesadelos.
Veio com ar de alguém que não existe
Falava-me de tudo quanto morre
E devagar no ar quebrou-se triste
De ser aparição água que escorre.
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